Metamorfoses
Eu prefiro ser, esta metamorfose ambulante (R Seixas)  Pois é, eu estava aqui pensando... às vezes sinto uma crítica no ar sobre minha revolução interna constante, as mudanças de humor, meus questionamentos, enfim minha alma inquieta por assim dizer. Acredito mesmo que “crítica no ar” venha na verdade de dentro de mim, claro. Não sei se invejo ou tenho pena daqueles que são, por assim dizer uma constante, que não se abalam e que mantém sempre a mesma expressão estampada no rosto, mesmo que seja um ar alegre, tranqüilo, acomodado, enfim... O fato é que a mim me incomoda muito repetir velhos padrões, velhos chavões. Preciso rever as crenças. Sempre. Prefiro sofrer continuamente e descansar às vezes à sombra, na margem do rio da vida e contemplar a transformação. É preciso morrer e renascer todos os dias, se reinventar e seguir. A gente vê isto na natureza, por que seríamos diferentes? O facies da serenidade é reflexo do que vem de dentro, da alma e para mim requer treino, aprimoramento, busca, meditação, luta, por mais incongruentes que sejam estes conceitos. Estagnando não damos chance chance de evoluirmos como seres vivos, pois a vida é isto: transformações. Nossos ancestrais agradecem e a eles oremos sempre. Um dia, quem sabe um dia, eu pare, e haverá quem me conduza. Os dias de chuva são assim, lavam as ruas, a alma e fazem fluir e os pensamentos clareiam e se soltam. É necessário agora que eu diga que espécie de homem sou. Meu nome, não importa, nem qualquer outro pormenor exterior meu próprio. Devo falar de meu caráter. A constituição inteira de meu espírito é de hesitação e de dúvida. Nada é ou pode ser positivo para mim; todas as coisas oscilam em torno de mim, e, com elas, uma incerteza para comigo mesmo. Tudo para mim é incoerência e mudança. Tudo é mistério e tudo está cheio de significado. Todas as coisas são ‘desconhecidas’, simbólicas do desconhecido. Em conseqüência, o horror, o mistério, o medo por demais inteligente. Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo ambiente que me cercou a infância, pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências), por tudo isto meu caráter é da espécie interiorizada, concentrada, muda, auto-suficiente e perdida em si mesma. Toda a minha vida tem sido de passividade e de sonho”. Fernando Pessoa, em o livro do desassossego
Escrito por Helio Sampaio Filho - às 13h34
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Dente - MANUAL DO PROPRIETÁRIO
Dente MANUAL DO PROPRIETÁRIO
Você já imaginou se cada órgão do nosso corpo viesse com o manual do proprietário? Até poderia vir um manual completo... do corpo todo... Os pais agradeceriam imensamente. “quando chorar consulte item x da página 10” Sem dúvida seria útil, muito útil, mas como não acontece, vamos brincar um pouco e elaborar um pequeno manual (consulta rápida) do proprietário do dente. Poderia começar assim: Parabéns! Você acaba de adquirir mais um produto com a marca Deus & Cia®. Nossos fabricantes trabalharam com zelo, dedicação e muito amor para que você pudesse usufruir de todos os benefícios de seu Dente. Talvez fosse uma boa apresentação... Seu dente é composto, na versão básica, de duas partes: uma exposta na boca, chamada coroa com formatos apropriados para cada função e outra que você não vê, mas muito importante chamada raiz. Não entraríamos nos detalhes sobre as cores dos dentes, mas um adendo poderia explicar que as matizes variam do branco neve até o marrom claro, passando pelo cinza, que os nuances combinam sempre com seu tom de pele e que os excessivamente brancos nem sempre significam serem mais resistentes, pelo contrário. A coroa sempre vem acompanhada de uma camada externa (protetora) denominada esmalte com um brilho inigualável (original de fábrica). A raiz, imersa no osso da mandíbula e da maxila, foi desenvolvida para dar sustentação para o conjunto,equipada com um sistema de amortecedores chamados ligamentos periodontais, que dá mais conforto e segurança nas suas mastigadas. Tá muito parecido com automóveis ou motos... mas vamos em frente Um equipamento muito útil que acompanha o conjunto é a gengiva que, em todas as versões é apresentada na cor rosa claro, com bordos finos e delicados. Ao menor vazamento (de sangue, no caso) ou alteração de cor (vermelho) procure uma autorizada (muito óbvia esta:- um bom dentista). Alerta Importante: seus dentes foram projetados para mastigações de alimentos exclusivamente. O fabricante e a autorizada não se responsabilizam por mordidas em: tampas de caneta, unhas, abrir garrafa, grampos de cabelo, sacos plásticos ou outros materiais não comestíveis. Seria importante talvez também alertar que os condutores menores de idade que praticam skate, artes marciais, boxe e outros esportes radicais devem solicitar um protetor bucal extra. Sobre a garantia e manutenção O formato apropriado já citado, o brilho do esmalte assim como a quantidade dos mesmos na boca, foi desenvolvido desde os tempos mais remotos e devem durar até o fim da vida, se obedecidas as condições básicas de limpeza e higienização. O fabricante (Deus & Cia®) não se responsabiliza se não forem observadas as condições adequadas, que seguem: 1- Utilize sempre escovas de cerdas macias, cabeça pequena associadas a cremes dentais (de sabor a sua escolha) o menos abrasivos possíveis, para não arranhar a pintura (oops!) digo o esmalte original. 2- Posicione a escova inclinada em 45° em relação a gengiva. 
3- Faça movimentos curtos de vai e vem horizontais , “varrendo” para baixo e para cima depois de alguns segundos. 
4- É imprescindível utilizar fitas ou fios dentais para polir a superfície entre um dente e outro, para evitar corrosão! 
5- O objetivo desta faxina dental é remover da superfície do dente em toda a sua extensão uma substancia denominada Placa Bacteriana que corrói o esmalte (cárie) ou produz sangramento do conjunto (gengivite).
6- Se a citada Placa Bacteriana ou Biofilme não forem removidos várias vezes ao dia, existe a possibilidade e risco de danificar outros componentes do conjunto, tais como o osso e os ligamentos, o que tira a estabilidade total (periodontite) e haverá PT (em tempo = Perda Total) do dente. 
A manutenção preventiva é condição imprescindível para que não ocorram os problemas citados. Visite seu dentista regularmente! 
Escrito por Helio Sampaio Filho - às 13h39
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Mau hálito?

Uma amiga minha foi a uma loja fazer compras, mas desistiu e saiu rapidinho de lá por conta do mau hálito da vendedora. Paciente chega ao consultorio muito abalada e relata que esta com problemas de ordem afetiva com o marido, e não sabia como abordar o assunto, pois há tempos não conseguia ter um relacionamento intimo devido ao mau hálito que ele apresentava. Você já passou por algo semelhante? Conhece alguma história parecida? Situação delicada, que coloca os envolvidos muitas vezes em uma posição constrangedora. Cabem algumas perguntas, alguns esclarecimentos que podem ajudar a compreender e lidar com o problema. Halitose ou Foetor ex ore que é o termo em latim ou simplesmente mau hálito - Não é considerada em si uma doença, mas um sintoma que aponta para alguma coisa que não está normal. Do ponto de vista psico-social é certo que o hálito fétido causa repulsa nas pessoas e as afasta do convívio natural, mantendo uma distancia física de segurança por assim dizer. O assunto é difícil de ser discutido. Nas pessoas que são portadoras (a partir do momento que percebem), estabelece-se a esquiva social, e para as que convivem fica o medo e o desconforto para tocar no tema. As causas são inúmeras podendo ter mais de 50 origens, e em 90% dos casos o foco está na boca. Não se pode, no entanto descartar outros motivos: sinusites, amigdalites, problemas digestivos específicos, pulmonares, diabetes e outras alterações hormonais por exemplo. Deve ser feita uma avaliação minuciosa por um profissional cirurgião- dentista para verificar se existem condições de alteração na língua, amídalas ou dentes que favoreçam a retenção de resíduos alimentares que poderiam ser a causa principal do problema. Quando existe o envolvimento direto dos dentes, a presença de cáries e/ou restaurações e próteses mal adaptadas devem ser investigadas. Outra causa comum costuma ser a doença periodontal que, pelo sangramento presente nas gengivas ou pela bolsa periodontal cujas secreções em seu interior liberam os compostos sulfurosos voláteis principais envolvidos no processo do mal odor. Outro motivo comum que merece destaque é a diminuição ou ausência do fluxo salivar (hiposalivação e xerostomia). A falta de saliva leva a putrefação das células epiteliais que, ao se decompor podem ocasionar um odor característico, desagradável principalmente pela manhã, que desaparece após a higienização oral matinal. O uso continuo ou eventual de alguns medicamentos (antidepressivos, antibióticos, diuréticos, anti-histaminicos, anti-neoplásicos) assim como o tabaco e o álcool, podem levar a uma diminuição da quantidade de saliva dando como resultado o odor desagradável. O que fazer? - Enfrente o problema sem receio! Comente com seu dentista que poderá lhe orientar para a melhor solução. - Faça uso preventivo do fio ou fita dental e uma escovação adequada que deve incluir a limpeza da língua. (Leia mais em http://www.heliosampaiofilho.com.br/prevencao.html) - Evite o uso indiscriminado de enxaguatórios bucais, gomas de mascar ou balas na tentativa de atenuar o odor. O resultado além de ineficaz é perigoso ao maquiar um problema maior. Os chicletes são úteis somente quando o fluxo de saliva está diminuído como estimulador das glândulas salivares. - Se convive com alguém portador de mau hálito o recomendado é falar com franqueza e honestidade sem medo de ferir. A pessoa pode, num primeiro momento, ser pega de surpresa, mas com certeza irá lhe agradecer futuramente. - não sabe como enfrentar o problema? - quer dar seu depoimento sobre uma experiência semelhante? - precisa de mais dicas? Entre em contato direto no site www.heliosampaiofilho.com.br ou agendamento@heliosampaiofilho.com.br Curiosidades: acesse http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u690862.shtml
Escrito por Helio Sampaio Filho - às 16h51
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Tabagismo - o que é preciso falar, o que é possivel fazer...

Quando pesquisamos tanto nos sites de busca na Internet, quanto em nichos específicos da área de saúde como PubMed, BVS, Medline sobre tabagismo, somos inundados com informações assustadoras com números e estatísticas que, salvo melhor juízo, a quem realmente interessa de verdade que é o fumante, pouco ou nada dizem. Acredito até que o viciado em tabaco nem chega perto destes artigos, mesmo que exista dentro dele, o que é difícil muitas vezes, vontade e convicção de que quer e precisa parar de fumar. Podemos impressionar o fumante com dados sobre a morbidade desta doença. Relacionar uma dezena de tipos de câncer que podem acometer o tabagista (que sempre conhece alguém que nunca fumou e morreu de assim). Sensibilizarmos o fumante com fotos nos maços de cigarro e dados estatísticos impressionantes. Interessa ao dependente de nicotina que ela é um alcalóide, que absorvida no pulmão, vai para o sangue e cérebro, etc, etc,etc? A resposta provável é não. É necessário agir! Existe atualmente por parte dos profissionais de saúde e de inúmeras organizações, um empenho em oferecer um tratamento, uma ajuda, uma motivação no mínimo para auxiliar a promoção da saúde que é nossa função maior. Não acredito em fórmulas miraculosas para combater a dependência, como sabemos não existir um único tratamento que possa resolver o problema isoladamente. É imprescindível uma abordagem multidisciplinar que pode envolver psicólogos, médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, dentistas e tantos outros profissionais necessários no sentido de dar apoio e orientação ao indivíduo que feliz ou infelizmente não sei, não apresenta alterações comportamentais como é o caso de outras drogas e que quando percebem os malefícios que o fumo acarreta muitas vezes nada mais se pode fazer. As Práticas Integrativas e Complementares à Saúde (Homeopatia, Acupuntura, Fitoterapia) podem e devem estar inseridas neste escopo não tenho dúvida. Mundialmente vemos um movimento que tenta isolar socialmente o fumante com medidas que proíbem ou impedem cada vez mais a prática. Isto é ótimo e digamos um bom começo. Parece que os governos chegaram a conclusão que gastasse mais com tratamentos para o doente que fuma do que com o que se arrecada de impostos. Bravo! Procure um médico antes que o patologista assuma o caso. Procure seu dentista, de preferência um periodontista. Procure um terapeuta, que não fume. Procure um amigo que o incentive a parar e que acredita que fumar faz realmente mal, ou seja você este amigo . Saúde! Sites interessantes relacionados: www.tabagismoonline.com.br www.colgate.com.br/app/Colgate/BR/OC/Information/ADA/Article_2008_t11_RazoesAbandonarTabaco.cvsp www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/tabagismo.htm http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/10/14/ult4477u2141.jhtm
Escrito por Helio Sampaio Filho - às 13h04
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Sobre árvores, troncos, preces e fé.
UTI 3º andar leito 4. Saio do hospital como faço há mais de 40 dias, duas vezes por dia, tentando encontrar os pedaços e colar os cacos que sobraram dentro de mim, tentando apaziguar o meu peito, serenar minha alma. É muito estranho sentar na sala e deixar o pensamento vagar e perceber as lágrimas descendo sem esforço, sem soluçar, sem pranto, somente caindo. Vem a imagem de uma árvore com tronco forte, que gerou tanta coisa,  tantos ramos, abrigou orquideas, frutos e que de repente começa a secar sem nunca ter deixado de ser imponente e digno. Tento conversar com Deus, e me surpreendo com a idéia esdrúxula de que se é possível conversar com Ele ou se seria mais um monólogo, daqui pra Lá. Dizem que temos que orar para conversar com Ele, e eu vou tentando. Se eu quiser falar com Deus Tenho que ficar a sós Tenho que apagar a luz Tenho que calar a voz Tenho que encontrar a paz Tenho que folgar os nós Dos sapatos, da gravata Dos desejos, dos receios Tenho que esquecer a data Tenho que perder a conta Tenho que ter mãos vazias Ter a alma e o corpo nus A conexão com o Divino parece poder ser feita de várias maneiras. Independe de credo, independe de raça, independe de idade, de cor da pele, de igrejas e religiões. 
Ligamo-nos a Deus na prece, que não depende do mantra, da voz, do cântico, mas da intenção e do ato. Para que ajoelhar, abaixar a cabeça, para que? Rezo com o peito aberto e a cabeça erguida, sem súplica, sem temor na tentativa da cumplicidade com o Universo. O vínculo com o espiritual existe e sempre existirá toda vez que eu elevar meu pensamento e orar, não com submissão servil e culpada, mas com firmeza e gratidão por estar vivo e olhar o mundo através Dele. Não são necessárias medalhas, imagens, altares, rituais e regras tolas. Nem de lugares ou templos.  A ligação com Deus não depende de fios, nem banda larga, nem dom inventado. Corta Os olhos de meu pai me olham, tristes agora, quase sem vida. Encaram-me e fico a imaginar o que me pergunta, e por que não entendo, ou não quero compreender, pois muito provavelmente não saberei dar as respostas. Onde foi parar o sorriso dele? Aonde o humor, a astúcia... O que ele está ajuizando agora? O que quer me dizer e não consegue... Aperta a minha mão e eu sinto o mundo. Dói pai? Corta O meio do meu peito dói. Fisicamente dói e não entendo como a alma pode doer, mas dói. É justo querer estar com ele infinitamente? É certo querer que ele parta logo? É justo o sofrimento de alguém que viveu dignamente como ele viveu? Preciso de respostas. Para ele ou por mim? Parta em paz meu pai. Fica mais um pouco comigo, só mais um pouco. Este conflito machuca. Deus permita que ele não esteja sofrendo. Deus permita que a dor que ele possa estar sentindo seja breve então... O que fazer com as frases e pensamentos dos filósofos, dos doutos, dos cientistas, dos teólogos e poetas? Nada. Só nos resta esperar a dor passar. Só nos resta aguardar, a morte, com dignidade, com serenidade e orar, do meu modo, do seu modo, de modo que Deus responda do modo Dele e confiar na vida, confiar na morte, com o fiar misterioso da teia da existência.
Escrito por Helio Sampaio Filho - às 14h22
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Ansiedade e medo do dentista Existe uma frase de um autor que desconheço que diz: “... coragem não é a ausência do medo e sim o agir, apesar do medo... “ Inúmeras pessoas possuem um medo latente, dissimulado ou mesmo explícito da cadeira do dentista. Claro, não literalmente da cadeira, mas das ações, dos procedimentos que se relacionam à imagem do dentista. Temos medo da morte, medo do desconhecido, medo da dor, medo da violência, medos sociais de modo geral, enfim o medo é um fenômeno presente em nosso dia a dia, necessário muitas vezes para nossa preservação, que não deve porém nos enclausurar e paralisar nossas ações e decisões. Difícil conceituar ansiedade, pois esta e o medo estão de certo modo associados e tudo parece ser uma questão de intensidade. Segundo alguns autores cerca de 10% da população adulta experimentam medo extremo (fobia) frente ao tratamento odontológico e como manifestação característica evitam parcial ou completamente a visita ao profissional, o que pode causar problemas na saúde bucal em si e na saúde geral, quer seja do ponto de vista físico, social e emocional. O resultado disto é uma redução da qualidade de vida. A boca, incluindo todas as suas estruturas (dentes, mucosa, língua) é um órgão emocional acima de tudo. Guardamos em cada milímetro da cavidade oral nossa memória afetiva mais profunda, mais intensa. Desde a amamentação, primeira manifestação positiva experimentada, passando pelo prazer da intimidade que cada um de nós experenciou no beijo, por exemplo, ou na simbologia da necessidade que temos em “morder” como defesa, não devemos desconsiderar o aspecto psicossomático associado. Tomarmos contato e nos conscientizarmos disto, tanto profissionais como pacientes, ajuda em muito a resolução destes problemas. O dentista sabedor destes aspectos deve ser sensível e elegante na abordagem e manipulação das estruturas bucais, delicado e competente para avaliar o indivíduo por este prisma e ético para transmitir a segurança necessária. 
Escrito por Helio Sampaio Filho - às 18h29
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Squash e vida...

Squash é um esporte praticado com raquetes e uma pequena bola (oca, preta, de borracha) em que disputam dois jogadores... em uma quadra fechada por 4 paredes, sendo a parede traseira de vidro.... Quando a bola atinge a parede ela é esmagada (do ingles, squashed), o que originou o nome do esporte. Extraído do Wikipedia. Jogo squash há 20 anos mais ou menos. “Tento” jogar talvez fosse uma conjugação mais adequada, mas não vamos complicar. O meu jogo melhorou sim. Mestre Marino de Oliveira ainda me chama de “gafanhoto” e sua voz fica ecoando na quadra à cada erro meu. “Prepare a raquete antes!” “Acerte a mão!”... “Explora a bola curta...” 
Vamos esqueçer os detalhes técnicos e as calorias que se perdem numa partida. Esqueçamos as pernas e braços cansados mas fortalecidos. O condicionamento físico adquirido, o reflexo acurado, a agilidade, o suor, o prazer da disputa... Vou focar no quanto eu aprendi na quadra sobre a vida e na vida sobre a quadra. Filosofia barata à parte, realmente há que se refletir sobre o jogo e a maneira de encarar as coisas . Posso não jogar ainda tão bem quanto gostaria, mas vejo hoje que evolui e amadurecí bastante. Posso não viver do modo que gostaria, mas creio que até agora valeu a pena também e a evolução vem naturalmente.  No jogo, encarava as pessoas como meus adversários. Hoje os vejo como parceiros com os quais eu treino e aprendo, por pior ou melhor que joguem em relação ao meu jogo. Tento da mesma maneira nomear na minha vida menos inimigos e mais colaboradores que cruzo no caminho. Dicas do squash: Domine o meio do campo, o “T” do centro da quadra. Isso mesmo o tesão de viver! Acompanhar a bola com o olhar sempre, é como vislumbrar os acontecimentos com atenção necessária. Corra menos e faça o outro jogador correr mais. Óbvio demais para se comentar, ou não? Prepare a raquete, e mantenha a pegada certa igual se faz quando ficamos atentos aos detalhes do dia a dia. Acima de tudo, divirta-se vivendo e jogando. Destaque suas qualidades e avalie suas fraquezas, mas jogue o jogo, perdendo a partida ou ganhando jogue o jogo, com alegria, garra e desapego. Enjoy. Saúde!
Escrito por Helio Sampaio Filho às 15h48
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Sobre Químicos e Cozinheiros...

Com sete, talvez oito anos de idade, ganhei de presente de algum Papai Noel, na casa de uma tia ou mesmo na minha casa - não lembro - uma caixa com vidros e substancias químicas que se chamava O Pequeno Químico. Eram tubos de ensaio, pipetas e vidrinhos devidamente arrolhados e rotulados com sugestões de misturas e experiências. Um mini-laboratório na verdade, que ensinava a misturar uma coisa com outra e aguçava a curiosidade de um garoto que imaginava mil possibilidades de composições. Quase um alquimista em busca de algo revolucionário. Dulce, minha irmã dava uma força dizendo que eu havia inventado algo que ela batizava de Gambacite, pelo nauseabundo odor que exalava e eu me achando o máximo, um pequeno gênio! Magia maior só mesmo quando eu me debruçava com um auxilio de um banquinho na pia da cozinha para ver minha mãe preparar a comida. Farinha, leite, ovo, fermento e já saía uma massa, que assada, impregnava a casa com um aroma inigualável. Um pastelzinho aqui, um gnoque, um pudim de pão, tudo muito simples, mas divinamente delicioso, e eu guri, ajudando ou atrapalhando, o ir e vir do serelepe que ela era: rápida, compenetrada e eficiente. A memória olfativa e afetiva não nos abandona e talvez por isso hoje eu sinta tanto prazer em inventar pratos e combinar sabores com risotos, molhos, pastas, buscando o deleite daqueles que eu amo, resgatando o moleque curioso e “químico”, tendo o prazer de compartilhar à mesa, que é o lugar aonde as coisas boas devem ser devidamente degustadas e brindadas. Quer coisa melhor do que ouvir o pedido: “Pai, faz aquele macarrão verde?” (a receita depois eu passo) e claro, ficar na expectativa do elogio pra alimentar agora o meu ego faminto. É bom soltar a mente e brincar e arquitetar que isto misturado com aquilo deve ser uma festa para as papilas gustativas! Abrir a geladeira e transformar o que sobrou de legumes em uma sopa magistral. Ir ao mercado em busca do manjericão e da salsinha e sonhar em ter uma mini horta no apartamento. Fecho os olhos e vejo o menino quase prêmio Nobel de Química e os abro e lá estão na minha frente as pessoas em volta da mesa na ceia santa, da morada. Os cerro novamente e sonho com minha mãe com o chinelinho plact-plact correndo pra lá e pra cá, limpando as mãos no avental (sujo de ovo não, por favor!) e retorno do devaneio satisfeito com os sabores e lembranças que marcaram. Sonhar, escolher, cortar, preparar, servir, compartilhar, degustar. Verbos e vivencias que fazem a diferença, fazem valer à pena. Um brinde! Saúde!
Escrito por Helio Sampaio Filho às 14h11
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Equilíbrio
Nada é permanente, exceto a mudança. Heráclito 
Para alguns dicionários e opiniões livres, equilíbrio pode ser definido como a “não variação” em um período de tempo, ou ainda: posição estável (de um corpo), sem oscilações ou desvios. Comedimento, moderação cautelosa. Domínio de si mesmo. O equilíbrio é necessário tanto quanto são necessárias as mudanças, que às vezes nos tiram do prumo, e ao mesmo tempo nos impulsionam. Se você não pedalar a bicicleta, fatalmente cairá. A cada movimento do pedal, ocorre uma mudança. A corda do violão estática, sem ação que a faça vibrar, equilibrada, não produz som algum. Tão emocionante quanto olhar uma criança (com o anjo da guarda – pai/mãe- ao lado) aprendendo a andar de bicicleta é sentir o frio na barriga de imaginar o artista no circo, pendurado na corda a 15 metros de altura. Ambos pendem sutilmente para a direita e para a esquerda para conseguir um ponto de permanência que se segue a outro ponto de instabilidade e o equilíbrio é mantido. Todos precisam acreditar, confiar. Todos precisam aprender, a se manter, a seguir. Assim é na vida. Assim é na Natureza. Assim é. Nuvens carregadas se formam, tempestades caem. O Sol continua aonde deveria estar, o ritmo circadiano prossegue e a estabilização ocorre. É a dança do Yin e do Yang que não podem existir isoladamente, um sem o outro, e a crença de que nada é completamente Yin ou completamente Yang. Opostos que se inter-relacionam, que se auto-consomem, que interdependem e que se equilibram na busca do caminho do meio, o Tao. Com nossas emoções não é diferente e apesar da busca incessante pelo equilíbrio, precisamos oscilar, precisamos vibrar, abaixar para tomar o impulso necessário e crescer sem medo de cair e recomeçar. Inspirando e expirando, com sístoles e diástoles ritmadas, gritando e silenciando, rindo e chorando, rompendo a dicotomia “emocional/racional” para prosseguir com a serenidade neessária e nos sustentar na paz.
Escrito por Helio Sampaio Filho às 08h04
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Sorrisos
Sorrisos Sorrir e ... só rir. Sorrisos em que se exibem os dentes e sorrisos do olhar. Conheço pessoas que riem com o corpo todo, principalmente com os olhos, sem medo das rugas ou pés-de-galinha, coisa difícil de explicar e fácil de reconhecer. Parece ser um sorriso de alma, de coração, livre, natural, que aflora ,transborda e flui. Sorriso que ninguém consegue esculpir ou modificar como se faz com os sorrisos odontológicos. A sociedade exige e muitas vezes impõem sorrisos brancos, alinhados, plásticos, porcelanizados, com a curvatura correta e formatos suaves, esteticamente agradáveis de ver. Lindos e limpos, sem dúvida alguma, se bem que, segundo alguém que não lembro quem, estética é a arte do imperceptível e assim, quando algo chama excessivamente a atenção, nem sempre agrada a maioria. É gratificante restaurar, um sorriso que foi perdido pela ausência de um dente, por uma coloração inadequada - escura, desarmônico, não agradável, enfim, por algo que não orna com o todo, mas é gratificante receber em retribuição o sorriso quase infantil, aquele de coração que agradece sem palavras. Existe um estudo de Psicologia, se não me engano de 2004, que relaciona a afetividade ao tipo de sorriso. Supõem-se existir, três tipos de sorriso: o “largo” (quando os lábios deixam ver todos os dentes), o “superior” – onde só os dentes de cima são mostrados e o sorriso “fechado” que esconde os dentes sem alterar a fisionomia do rosto e parece que é justamente este último que traduz melhor a afetividade, seria mais “sedutor”. Sejam os sorrisos dissimulados, nervosos, alegres, irônicos, cínicos, carinhosos, espontâneos, forçados, verdadeiros ou de qualquer tipo que nossa imaginação e criatividade quiserem, é bom participar e colaborar para que eles sejam lindos para que espelhem o que vai dentro de forma espontânea e iluminem tudo e todos. Sorria ;)
Escrito por Helio Sampaio Filho às 13h58
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Rapidinho...acesse: http://www.ciosp.com.br/IMPRENSA/HOMEOPATIA.htm, e leia uma entrevista que eu dei para divulgação do Congresso Internacional de Odontologia (CIOSP) em 2008.
Escrito por Helio Sampaio Filho às 07h05
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Trajetória. O pensamento realmente viaja, voa, vai longe, longe... E as idéias vão chegando, as lembranças junto, as imagens indo e vindo, uma vivencia aqui outra acolá. Às vezes é como se eu me sentasse na margem do rio me tornando espectador, assistindo tudo passar, apreciando a paisagem. Inicio da década de 70 (os mais novos tirem este risinho dos lábios, por favor!) eu me sento num pequeno muro (acho que era uma caixa d’água mais baixa) no pátio da escola estadual em que eu estudava. Hora do “recreio”, e a gente papeando sobre a escolha da profissão. Não parece justo alguém com 16 ou 17 anos decidir sobre “o que vai ser – agora pra valer - quando crescer”. E começam as angústias, os conflitos. Médico? Não, não – Advogado? Hmmm quem sabe Dentista alguém falou. E o pensamento explodiu e eu pensando, imaginando a minha vida tratando dos dentes das pessoas. Profissional liberal... pode ser interessante...soa bem...fazer o horário que eu quiser! Prestígio! Sucesso! Cuidar de alguém! Curar... Parece que tudo começou assim. Algo que surgiu na forma de um pensamento e que ia tomando forma até a materialização, por caminhos que fui desbravando, trilhas que fui seguindo sem saber às vezes aonde iria dar. Término do curso colegial.Tempo em que toneladas de informações obtidas no cursinho vestibular são armazenadas, novos amigos, novas ansiedades, velhas preocupações. De repente o peito estoura de alegria quando tudo parecia perdido e lá está o meu nome no jornal , depois confirmado no mural da Faculdade. O “trote”, cabeça raspada, aulas com professores de mentira, brincadeiras, felicidade que não cabe no tempo. Será que escolhi certo? Mais elementos processados, condutas, procedimentos, o primeiro paciente, o medo, a certeza, a convicção. O-d-o-n-t-o-l-o-g-i-a. Habilidade manual necessária, treinada, desperta de não-sei-onde, executada e lá está um dente restaurado. A substância injetada com precisão, orientada pelo conhecimento anatômico adquirido e uma pequena parte do organismo está anestesiada. Eu no controle. O corte preciso do bisturi, a cabeça do professor e a mão do aluno: dente extraído. A mão se torna mais firme e o barulho do motor de alta rotação incomoda, e a saliva, a língua, a bochecha atrapalham. É preciso ainda aprender a conter o medo e a ansiedade daquele que eu preciso ajudar. Curar! Formatura. Agitação. Excitação. Emoção. Medo. Esperança.  O juramento, a saudade antecipada dos bons tempos, das farras, das aulas, dos amigos. O hiato do tempo em que nada sou, nem estudante nem profissional. O primeiro equipamento com entrada que meu pai (sempre ele) me deu e mil prestações a serem pagas. A ajuda do amigo Colucci. O apoio dos pais, da família, da noiva e sempre e acima de tudo, de Deus. O casamento e os frutos, os presentes de Deus, as filhas. O trajeto continua com as perdas, as chegadas e despedidas. E a experiência somando junto com o eterno aprendizado dos cursos e especializações, e a meta sendo atingida: curando. A surpresa do emprego público e a disciplina da caserna e das patentes e continências. Cobranças e frustrações e o entendimento que não sou onipotente. Tempo de resgate e de re-pensar e superar. A convicção do caminho. A compreensão de que acima da técnica, acima do ato mecânico, acima das ferramentas existe o humanismo. A certeza de que livre de preconceitos existem outras racionalidades que valorizam o Homem, que consegue ir além do sorriso estético, das porcelanas, das resinas, dos clareamentos, obter o riso da alma e a eterna busca do curar. Helio Sampaio Filho, C.D. Que não é um biomecânico, nem bioencanador e acredita na força do Universo, na cura.
Escrito por Helio Sampaio Filho às 17h29
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Sobre a arte de meditar
 Vamos fazer um teste: Interrompa por 15 segundos esta leitura e preste atenção em você...com os olhos fechados. Isto... agora simplesmente não interfira em sua respiração; sinta o ritmo ...e tente finalmente não pensar em nada! Difícil? Como você está? Caso você tenha conseguido exercitar pelo menos um item do que eu sugeri, deu um bom passo na arte de meditar. E por que meditar? Esta é a pergunta. Você chega em casa cansado. Parece que toda a sua energia se foi e amanhã começa um novo dia e o seu despertar será como sempre: desanimado ou angustiado para enfrentar mais uma batalha. Preocupações, deveres, mil coisas para resolver ao mesmo tempo e a cabeça às vezes parece que vai estourar ou simplesmente parar de funcionar. Medo. Precisamos virar este jogo. Temos que mudar. É preciso esvaziar. É preciso aquietar, dar um mergulho dentro de nós mesmos. Voltar o olhar para dentro, e buscar o sonhado equilíbrio. Aprendemos desde a infância que precisamos produzir! Dar o melhor de nós mesmos. Vencer! Matar um leão por dia! Isto sempre acaba tendo um preço, que na maioria das vezes é alto, pois pode custar a nossa própria saúde. Assim, lanço uma idéia, que tenho usado com sucesso: MEDITAR ... Segundo um sacerdote taoísta que conheci, meditar é esvaziar a mente dos pensamentos, dos desejos, das expectativas, dos conceitos e pré-conceitos, dos julgamentos e apegos... esvaziar o coração das mágoas, angustias, revoltas, traumas e sofrimentos, ansiedades e frustrações. Difícil? Talvez, mas é preciso tentar. É preciso começar e recomeçar se preciso. Segundo Osho, nossa mente é tagarela. Não queremos pensar nas coisas, em nossas obsessões, mas tudo continua lá, repetindo, repetindo, repetindo. A Meditação não precisa estar necessariamente ligada a uma religião, a uma crença. É acima de tudo um estilo de vida. É uma prática pessoal que pode ser aprendida com um professor ou pela prática, sozinhos, com livros por exemplo. Existem inúmeras técnicas, diversas maneiras de praticar. Tradicionalmente ela está ligada ao taoísmo, ao budismo, ao hinduísmo, mas como já foi dito, o caráter religioso não precisa estar presente, porém devemos buscar nesta viagem interior entrar em contato com nossa espiritualidade, ou seja, nos relacionarmos com algo que vai além de nós, das nossas circunstancias, dando um sentido maior para nossa existência, e isto pode ser alcançado pela religião, pela música, pela arte ou em valores e princípios, dentro de um pensamento, de uma intenção elevada. Se procurarmos em um site de busca a palavra “meditação”, encontraremos nada mais nada menos do que 1.970.000 resultados! Para “meditação e saúde” os resultados atingem 712.000. Nada mal. Alguns pontos em comum sobre as distintas técnicas e modo de meditar: respiração, relaxamento, ritmo e às vezes sons estabilizadores (mantras, por exemplo). Devemos escolher um local adequado, preferencialmente sempre o mesmo, (mas não necessariamente), assim como um horário fixo que pode ser pela manhã cedinho, ou antes, de dormir. Quem sabe após o almoço? Existem técnicas que preconizam um tempo entre 7 e 10 minutos, mas não existe um consenso sobre isto, assim como o número de vezes por dia que deve ser praticada. A postura deve ser confortável, instalada numa poltrona ou cadeira ou sobre uma almofada, com as costas apoiadas e retas e sem tensão. Pernas cruzadas ou simplesmente... sente-se. Deixe de lado as resistências, tente. Meditar deve ser uma oportunidade de brincar, de compartilhar consigo mesmo um momento de paz e alegria, experimentado o desapego, a não necessidade de termos o poder, de nos renovarmos e conseguirmos naturalmente o aumento do nosso potencial e vislumbrarmos a nossa capacidade intuitiva se aflorar. Experimente. Vale à pena. E lembre-se: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho” Mahatma Gandhi. Helio Sampaio Filho é Cirurgião Dentista, Acupunturista e Homeopata e medita. WWW.heliosampaiofilho.com.br ; drhelio@heliosampaiofilho.com.br
Escrito por Helio Sampaio Filho às 18h55
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Tempos de Contador de histórias
Há 9 ou 10 anos atrás, fui voluntário - contador de histórias na Associação Viva e deixe Viver. Na época escreví dois pequenos artigos relatando duas experiencias que muito me tocaram. Se você entrar no site (www.vivaedeixeviver.org.br) e clicar em nossa recompensa poderá ler o original, mas em todo caso, transcrevo abaixo os dois. CAROL, UMA MENINA QUE AMA Acabei de sair do Emílio Ribas. Tirei o meu avental de contador de histórias como faço há três anos, escrevi algumas palavras no livro-diário e saí alegre, feliz, mas pensativo. Há quase três anos eu conheço a Carol. Ela é magrinha, um rosto que seria redondinho se não fosse a doença. Faltam alguns dentes na frente, mas o sorriso é lindo. Tem umas pintinhas nas bochechas ,o que lhe dá um charme incrível. A risada, quando sai, é uma gargalhada meio rouca, 'bronquítica' (se esta palavra existir, senão fica assim mesmo e o Aurélio que reescreva). O que me chama a atenção em relação à Carol é o carinho, o amor escancarado, a afetividade solta que ela tem com o pai. Confesso que sinto uma pontinha de inveja. É sempre assim: enquanto o pai (um cara alto, faltando também alguns dentes, meio fechado, mas simpático) está por lá visitando, ela não dá a mínima atenção para ninguém. É pai pra lá, pai pra cá. Mesmo quando ele vai embora, lá está a Carol na janela do quarto para dar um tchau, como se fosse o último tchau. E grita: tchau paiê ! ¿ e ele acena. Outro dia, a Sonia me contou, que estava uma chuva danada, com os respingos entrando, e ela nem aí "tchau paiê!" e preocupadíssima que o pai estava se molhando. É de emocionar, e de, como já falei, sentir inveja. Minhas filhas são carinhosas e tal, mas a Carol é tiete, macaca de auditório do pai. Gente simples, dá para perceber, mas que conhece o amor, o carinho, o afeto como poucos. Carol não quer saber, provavelmente, como adoeceu, por que adoeceu e até quando irá viver. É soropositiva, e daí? Ela ama o pai e ponto. Seus olhinhos de 10 anos de existência dizem isto escancaradamente. Tanta gente, culta, rica, famosa e infeliz por não ter o amor de um filho assim expressado. As palavras caladas e as emoções engolidas. Afeto zero, apesar da ¿saúde¿ (bem estar físico-psíquico-social como quer a OMS) ir bem, obrigado. Carol, obrigado por amar o seu pai assim. Talvez você nunca leia esta linhas. Talvez você não se torne uma pintora famosa "como me segredou hoje no hospital" que seria, um dia. Não importa Carol, não importa... Você já é grande querida, do tamanho do amor que você tem pelo paiê ! Beijos deste contador que aprende tantas histórias, tentando contar uma. Helio Sampaio Filho Contador de Histórias ------------------------------------------------------------------------------------------------- O CÉU DA CAROL Há quase uma ano escrevi sobre Carol, que amava seu pai, tinha a voz rouca, e pintinhas no rosto e era HIV positiva. Hoje me ligaram falando que a Carol se foi. Seu sorriso banguela charmoso não verei mais. O pai, não receberá mais os ¿tchaus¿ da janela do Emílio Ribas. Sua risada gostosa não mais ecoará nos corredores, mas Carol está no Céu. Por isto eu luto tanto, para fazer de meu peito algo limpo, aconchegante, quentinho, azul claro cheio de nuvenzinhas e com um sol preguiçoso batendo sempre. Luto para que dentro de meu peito tenha um Céu, para que pessoas como a Carol morem pra sempre bem aqui, no Céu do meu peito. É muita pretensão a minha de querer ter um Céu dentro do meu peito, como também é pedir muito para o Criador não levar tão cedo as pessoas que eu amo. Talvez o ¿tão cedo¿ para mim, não é tão cedo para Ele. Carol, você estará sempre aqui, e acenará para o seu pai, e dará as risadas gostosas de ouvir e daqui de dentro do céu do meu peito você contagiará com o amor que tem, todas as crianças para as quais eu for contar histórias. Carol realizou seu sonho e se tornou uma pintora famosa. Ela pinta agora, Céus no peito das pessoas. Beijos minha querida Carol e obrigado pelo Céu que você me deu. Helio Sampaio Filho Contador de Histórias |
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Escrito por Helio Sampaio Filho às 17h00
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Começando
Olá! Bem vindo ao meu blog! É minha estréia neste quesito e a idéia é ir passando idéias! Claro que vamos trocar experiencias, dicas, novidades e informações em geral. Em meu site ( arquitetado pelo brilhante Leandro Ramos Queiroz), no qual linkamos este blog, minha vida profissional e meu estilo estarão mais detalhados. grande e forte abraço e vamos que vamos... 
Escrito por Helio Sampaio Filho às 15h09
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